Se sou daimista, posso dizer que sou cristão? (parte II)

"Como seguidor da doutrina daimista, posso afirmar que ela é genuinamente cristã?” Este texto explora nuances dessa questão, destacando que, embora a doutrina daimista tenha se desenvolvido com expressões e termos cristãos em seus hinários, a crença em elementos como a reencarnação ou a menção a entidades espirituais não retira a identidade cristã. Para constatar esta identidade, é fundamental compreender como os pilares do Cristianismo — como o monoteísmo, a Santíssima Trindade e Jesus Cristo como o Verbo encarnado e Salvador — se expressam na doutrina daimista (continuação...).

10/28/202524 min read

Na semana posterior ao estudo das concentrações um irmão encaminhou-me uma questão:

“Bom dia, sr. Luiz, tudo bem? Sr. Luiz, poderíamos dizer que nós daimistas somos gnósticos? Digo assim, porque o Mestre Irineu ensinou que não devemos procurar fora porque não vamos encontrar, que deveríamos olhar para o interior”.

Respondi a ele (e entremeio aqui alguns trechos de hinos, o que não fiz na resposta):

Se você se referir a “gnóstico” como “buscador de conhecimento”, sim, podemos dizer que um daimista é um gnóstico... o que em si não quer dizer nada! Já que todo “buscador de conhecimento” será tido por você como um “gnóstico”, o termo “gnóstico” não apontará nenhuma doutrina específica em particular, já que em todas se diz estar buscando algum conhecimento (gnose).

Embora o significado literal do grego “gnosis” seja “conhecimento” (semelhante a “episteme”, que é o conhecimento racional ou científico), a palavra adquiriu um sentido mais profundo no contexto das religiões e filosofias helenísticas. Passou a significar um tipo de conhecimento superior, não o conhecimento intelectual adquirido pela razão, mas sim um suposto conhecimento direto, intuitivo, espiritual e transcendente sobre o divino e sobre a verdadeira natureza da humanidade.

Para aqueles que viam desse modo, a “gnosis” (este conhecimento íntimo e revelado) era o fator crucial que levava à salvação ou à libertação da alma das restrições do mundo material. Em resumo, a gnose é, etimologicamente, apenas “conhecimento”, mas passou a ser vista como o “conhecimento secreto ou revelado” que permitiria a união com a divindade.

Então, se você se referir a “gnóstico” pensando no Gnosticismo, um conjunto de movimentos diversos que coexistiu e competiu com o Cristianismo primitivo entre os séculos I e IV (e se mantendo contemporâneo até hoje em dia sob diversas formas), com frequência utilizando a figura histórica de Jesus Cristo e a terminologia cristã, decididamente um daimista não é um gnóstico, na medida em que a diferença de princípios centrais de crença entre o Cristianismo e o Gnosticismo é enorme.

As principais divergências residem em três aspectos cruciais: a natureza do mundo, o caminho para a salvação e a natureza de Cristo.

1. Natureza do mundo e de Deus (dualismo)

Enquanto para o Gnosticismo o mundo material é tido como mau, uma prisão, imperfeito e resultado de um erro cósmico, no qual o corpo humano é uma barreira para a verdade, para o Cristianismo o mundo material é uma criação boa de Deus, que foi corrompida pelo pecado, em que o corpo humano é parte essencial da criação e será ressuscitado pela salvação.

O Gnosticismo acredita na “dualidade divina”, havendo um Deus supremo (transcendente e bom) e um “Demiurgo” (um deus menor, ignorante e imperfeito que criou o mundo material), enquanto o Cristianismo acredita em um único Deus onipotente, único Criador e Sustentador de tudo o que existe, que é inteiramente bom e benevolente.

“Àqueles que merecer,
devemos dar o seu dom.
Não temos que reclamar,
tudo o que Deus faz é bom” (Antonio Gomes, hino 02)

2. O caminho para a salvação (gnosis vs. fé)

Para o Gnosticismo, a salvação é alcançada através da “gnosis”, entendida como obtenção do conhecimento secreto ou sabedoria intuitiva. Esse conhecimento é revelado a poucos eleitos e seria a chave para o espírito escapar do mundo material e se unir ao Deus supremo. A moralidade e as ações éticas são secundárias à posse desse conhecimento.

Para o Cristianismo, a salvação é alcançada através da fé em Jesus Cristo (a graça divina) e se manifesta por meio das obras (amor, caridade e obediência à vontade de Deus). O conhecimento é importante, mas são a fé em Cristo e em Sua redenção que salvam e, não, uma sabedoria secreta alcançada.

“Fé em nosso Pai
e fé na nossa Mãe.
É quem nos dá a salvação
para sempre, amém, Jesus” (João Pereira, hino 01)

3. A Natureza de Cristo (docetismo)

As duas visões sobre quem era Jesus são irreconciliáveis: o Gnosticismo era docetista, acreditando que Cristo era uma entidade puramente espiritual e não poderia ter tido um corpo físico real (porque a matéria é má). Portanto, sua crucificação foi apenas uma ilusão. Um docetista é, literalmente, “aquele que acredita na aparência” ou “aquele que defende a doutrina da aparência”, do verbo “dokeō”, que significa “parecer” ou “aparentar”. Assim, no Gnosticismo o docetista era a pessoa que afirmava que Jesus Cristo apenas “pareceu ter um corpo humano” e “pareceu sofrer”, pois seu corpo era uma ilusão ou fantasma, e não carne real.

Já, o Cristianismo, acredita na noção de encarnação de Deus e ressureição. Jesus Cristo é plenamente Deus e plenamente homem em um corpo só, tendo vivido, sofrido e morrido fisicamente na cruz para redimir a humanidade. A historicidade de seu corpo e sofrimento é central para a doutrina.

“Sofreu na cruz,
foi preso e foi amarrado.
Quem matou foi os judeus,
na Judéia, foram todos perdoados”. (Mestre Irineu, 11)

e

“Amar este Menino
eu ensino todo dia,
é amar a Deus no céu,
Filho da Virgem Maria.

Amar este Menino
a todos eu ensino,
é amar ao nosso Deus,
nosso Pai verdadeiro”. (João Pereira, hino 08)

Enquanto o Cristianismo afirma a bondade da criação e a salvação pela fé e pela Graça divina, acessível a todos, o Gnosticismo prega que o mundo é mau e que a salvação é alcançada pela posse de um conhecimento secreto reservado a poucos.

Contra a noção de haver mistérios a ser conhecidos por poucos, mestre Irineu cantou:

“Eu estava dentro da mata,
debaixo de um arvoredo:
tudo tem, tudo tem,
no mundo não há segredo” (Mestre Irineu, hino 76).

e

“A morada do meu Pai
é no coração do mundo,
aonde existe todo amor
e tem um segredo profundo.

Este segredo profundo
está em toda a humanidade,
se todos se conhecerem
aqui dentro da verdade” (Mestre Irineu, hino 126).

São inúmeras as expressões contemporâneas do Gnosticismo, com seus princípios centrais de crença sendo encontrados na Fraternidade Rosa Cruz, na Golden Dawn (fundada na Inglaterra em 1888, a Golden Dawn se destacou por sintetizar uma vasta gama de tradições esotéricas em um sistema de ensino e prática coerente e ritualístico, algo inédito na época), na Sociedade Teosófica, na Maçonaria (graus superiores) e em outras “escolas de mistério”, aparecendo até em produtos culturais como o filme “Matrix”, no qual a humanidade vive em uma ilusão criada por uma força controladora, e a salvação só é possível através de uma revelação secreta da verdade.

Foi muito oportuna a questão do irmão, pois após analisar a importância das concentrações junto ao grupo, eu estava pensando em desenvolver mais um conciso material sobre a identidade da doutrina daimista.

Fala-se o tempo todo em “doutrina daimista”, mas de fato o que a define? Quais são seus princípios centrais de crença? Em que ela se diferencia de outras formas de trabalho espiritual com daime, como os centros filiados ao ICEFLU, ex-Cefluris, ou à Barquinha, em Rio Branco? E o mais importante: ela é propriamente cristã?

Começo pelo que me parece mais óbvio, embora talvez passe desapercebido por muitos: mesmo aqueles que entendem que a doutrina daimista é cristã costumam ter algum nível de dificuldade ao responder “sou cristão” à pergunta “como daimista, qual é sua filiação religiosa?”.

Isso ocorre pelo fato de que, nesta fase do Brasil em que vivemos, dizer-se “cristão” de imediato se associa aos evangélicos e neopentecostais, que avocam para si esta chave de identidade (embora católicos e ortodoxos das igrejas orientais também sejam cristãos). Ou, visto de outro lado, busca se dissociar da Igreja Católica, em função dos desvios e equívocos cometidos pela Cúria Romana no transcorrer dos séculos.

O que certifica que a doutrina daimista é originária e exclusivamente cristã? Basta cantar com Antonio Gomes, cujo hinário é denominado no Alto Santo um “hinário conselheiro”, como aprendi com Paulo Serra, filho adotivo do Mestre, na primeira vez em que fui ao Acre:

“Eu vim para ensinar,
o nosso Pai foi quem mandou,
eu ensinar os meus irmãos
a doutrina do Salvador” (Antonio Gomes, hino 03).

ou

“Todos devem aprender,
e bem amar no coração,
a doutrina de Jesus Cristo,
que é o dono desta missão” (Antonio Gomes, hino 09)

Poderia mencionar aqui outras estrofes de hinos dos daimistas cujos hinários compõem a base doutrinária (Mestre Irineu, Germano Guilherme, João Pereira, Maria Damião e Antonio Gomes) e que vão na mesma toada, mas seria repetitivo.

No hinário de mestre Irineu duas vezes se encontra o termo “replantar santa doutrina”, uma, referente a nosso Senhor Jesus Cristo e, outra, referente ao próprio Mestre.

“Jesus Cristo veio ao mundo
replantar santa doutrina,
os descrentes assassinaram
e ainda hoje é quem me ensina” (Mestre Irineu, hino 59).

e

“Quando Ela me entregou
eu gravei no coração,
para replantar santa doutrina
e ensinar aos meus irmãos” (Mestre Irineu, hino 65).

e

“Jesus Cristo me mandou
para mim vir ensinar:
replante a santa doutrina
e Deus te dá um bom lugar” (Mestre Irineu, hino 89).

Por que isto é importante?

Porque Jesus Cristo, sendo o Filho de Deus feito carne, e por isso tendo dupla natureza, celeste e terrestre, é claro ao informar que o que ele dizia vinha de Deus, e por isso ele “replantava a santa doutrina”: “O meu ensinamento não vem de mim, mas dAquele que me enviou. Se alguém quiser fazer a vontade de Deus, ele saberá se este ensinamento vem de Deus ou se eu falo por mim mesmo” (João, 7:16).

João Batista explicou: “Aquele que vem do alto está acima de tudo. Aquele que é da terra é terrestre e fala de modo terrestre. Aquele que vem do céu testemunha do que viu e do que ouviu (...) Aquele que recebe o seu testemunho ratifica que Deus é verídico. Com efeito, aquele que Deus enviou diz as palavras de Deus, que o Espírito lhe dá sem medida. O Pai ama o Filho e entregou tudo em sua mão” (João, 3: 31-35).

Dinâmica análoga encontramos no que diz respeito a mestre Irineu, segundo cantou Antonio Gomes em seu hino 33:

“Imploro ao meu Pai eterno
e a Jesus Cristo Redentor,
imploro à minha Rainha
e ao mestre que me ensinou”.

(...)

“Meu mestre fez esta casa
com ordem da Mãe divina,
Ela entregou todo poder
ao Mestre que nos ensina”.

Em que se resumia a doutrina d’Aquele que enviou Jesus Cristo?

Como o próprio Jesus Cristo explicou:

“Mestre, qual é o grande mandamento da Lei? Jesus declarou-lhe: ‘Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, com toda a tua alma e com todo teu pensamento. Um segundo é igualmente importante: amarás o teu próximo como a ti mesmo. Desses dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas’’”. (Mateus, 22: 36)

“Qual é o primeiro de todos os mandamentos? Jesus respondeu: ‘Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, com todo teu pensamento e com toda a sua força. Eis o segundo: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há mandamento maior do que estes’’”. (Marcos, 12: 28-31)

Amor a Deus que já era requerido muito antes de Jesus Cristo: “O Senhor, nosso Deus, é o Senhor que é um. Amarás o Senhor com todo o teu coração, com todo o teu ser, com todas as suas forças. As palavras dos mandamentos que hoje te dou estarão presentes no teu coração”. (Deuteronômio, 6: 5-6, no Antigo Testamento).

Jesus agregou a isso o amor ao próximo como a si mesmo, num segundo mandamento de igual importância.

Simples, assim...

Como João Pereira cantou em seu hino 16:

“Amor, amor, amor em meu Pai.
Eu piso firme
e sigo em frente
com amor, firme a meu Pai.

Amor, amor, amor em meu Pai.
Eu sigo em frente
e digo sempre:
sou filho do Onipotente.

Amor, amor, amor em minha Mãe.
Eu piso firme
e sigo em frente
com amor no coração”.

Por isso, também, mestre Irineu cantou em seu hino 28:

“O divino Pai eterno,
quem me deu este poder,
de ensinar as criaturas
a conhecer e compreender.

A Virgem Mãe me deu
o lugar de professor,
para ensinar as criaturas
conhecer a ter amor”.

Outro aspecto da doutrina daimista que fez com que fosse suposto ela ser sincretismo do Espiritismo kardecista, e com isso deixasse de ser propriamente cristã, foi a sua crença em reencarnação:

“Depois que desencarna,
firmeza no coração.
Se Deus te der licença,
volta a outra encarnação.

Na Terra, como no céu,
é o dizer de todo mundo:
se não preparar o terreno,
fica um espírito vagabundo” (Mestre Irineu, hino 74).

Este é aspecto complexo, pois embora creia na sobrevivência do espírito a doutrina daimista não se orienta ativamente no sentido de fazer contato com a alma de pessoas já passadas para a outra vida, como ocorre no Espiritismo kardecista e em sincretismos com os cultos de matriz africana, uma vez que em seus rituais religiosos o contato pode ocorrer de modo espontâneo, mas não é um propósito doutrinário.

Em meu primeiro bailado de hinário, ainda não fardado, minha mãe, que falecera havia poucos meses, apareceu-me sorrindo para mim, dando-me imenso alívio quanto a ela; meses depois, no bailado de aniversário para Alfredo Gregório de Melo no seringal Céu do Mapiá, em pleno serviço diurno com mais de 400 pessoas no serviço de bailado de repente abriu-se o céu e vi, acima de nós, como se fosse em um mezanino, todo um povo sentado em “arquibancadas” e nos observando, entre eles o meu pai, falecido havia dez anos, e, bem ao alto de tudo, mestre Irineu sentado em um cadeirão.

Até S. Agostinho, ao analisar a questão da sobrevivência do espírito após a morte e sua comunicação com os “vivos”, admitiu em seu livro O cuidado devido aos mortos: “eis uma questão que ultrapassa as possibilidades da minha inteligência: como os mártires, que sem dúvida alguma vêm em ajuda de seus devotos, aparecem: se em pessoa e no mesmo momento; se em diversos lugares e afastados uns dos outros; se somente onde se encontra seu túmulo ou em qualquer outro lugar onde se faz sentir sua ação? (...) Ou bem, se eles permanecem confinados na morada reservada a seus méritos, longe de todo relacionamento com os mortais, contentando-se em interceder pelas necessidades dos que suplicam? Será assim como nós mesmos rezamos pelos mortos, sem lhes estar presentes e sem saber onde estão nem o que fazem? (...) Sim, repito, essa é uma questão muito elevada para que eu possa atingi-la e muito complexa para que possa escrutá-la a fundo”.

Mas se boa parte do argumento contra a crença em reencarnação vem da afirmação “e como o destino dos homens é morrer uma só vez”, que ocorre em uma epístola paulina (Hebreus, 9: 27), o que pensar das variadas ressurreições citadas na Escritura? O que ocorreu com os ressuscitados, entre eles Lázaro (João, 11: 1-44), o menino ressuscitado por Eliseu (2 Reis, 4: 32-37) e o filho da viúva (Lucas, 7: 11)?

Se não poderiam morrer uma segunda vez, estarão vivos até hoje? Se passaram para o outro mundo, como e quando terá sido esta passagem, já que foram revitalizados pelo próprio poder de Deus, mas neste mundo mesmo e antes do Dia de Juízo? Foram arrebatados em carne? Ou morreram uma segunda vez e há equívoco na epístola?

Quanto à sobrevivência do espírito dos mortos, e para ficarmos apenas em textos que dão base ao Judaísmo e o Cristianismo, isto é, sem termos de visitar textos de religiões explicitamente reencarnacionistas como o Budismo e o Hinduísmo, desde o Antigo Testamento há clara menção à existência de manifestação ativa do espírito dos mortos, junto à interdição explícita de consulta a eles.

A respeito da sobrevivência do espírito após a morte e das inquietações humanas neste sentido, como registradas em: “não deve um povo consultar os seus deuses, os mortos em favor dos vivos? ” (Isaías, 8: 19), Deus adverte: “não haverá no meio de ti ninguém que faça passar pelo fogo seu filho ou sua filha, que interrogue os oráculos, pratique sortilégios, magia, encantamentos, enfeitiçamentos, recorra à adivinhação ou consulte os mortos” (Deuteronômio, 18: 10), já que tais práticas contrariam a entrega confiante, firmada na fé, à providência divina.

Se não fosse possível, não seria proibido.

Agora, quanto à reencarnação, já que uma coisa é a sobrevivência do espírito, como querem praticamente todas as crenças religiosas, e outra, bem diferente, é a possibilidade de sua reencarnação, o tema é em certa medida também dúbio em ambos os Testamentos, razão pela qual permanece assunto em aberto no perpassar dos séculos.

Assim, ao mesmo tempo em que se aprende que “o Senhor faz morrer e faz viver, faz descer ao Sheol [morada dos mortos] e de lá voltar” (I Samuel, 2: 6), em uma possível alusão a um retorno do espírito em reencarnação, lê-se em outro trecho do Antigo Testamento: “eu era, sem dúvida, criança bem dotada e recebera, em quinhão, boa alma; ou antes, como era bom, viera a um corpo sem mancha” (Sabedoria, 8: 19-20).

Ora, se não houvesse a possibilidade de reencarnação, não faria sentido afirmar: “como era bom, viera a um corpo sem mancha”. Já que todo espírito é criado bom (Eclesiastes, 7: 29, “Deus fez o ser humano reto”), só se pode supor que ele não seja bom se a maldade nele existente derivar de mal adquirido em encarnação anterior, em razão de pecado. Assim, o texto parece afirmar não ter havido maldade em vida anterior daquela particular alma, razão pela qual “viera a um corpo sem mancha”.

Em um trecho de João (9: 1-3) se lê: “E, passando Jesus, viu um homem cego de nascença. E os seus discípulos lhe perguntaram, dizendo: Rabi, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego? ”. Ora, a pergunta sobre o pecado do cego (“este”) antes de nascer é referência implícita à possibilidade de que ele tenha pecado em uma vida anterior, para nascer cego (lei de causa e efeito/carma).

No Antigo Testamento também se encontra referência ao que mais à frente, para anunciar o Cristo de Deus, será a vinda de João, o Batista, enquanto possível remanifestação do profeta Elias (“Elias era um homem semelhante a nós”, dirá depois o Novo Testamento em Tiago, 5: 17,), vinda essa que fora prometida por Deus, segundo o profeta Malaquias: “eis que vou enviar-vos Elias, o profeta, antes que venha o dia do Senhor (...) Ele reconduzirá o coração dos pais para os filhos e o coração dos filhos para os pais” (Malaquias, 3: 23, 24).

Em decorrência desta promessa, no Novo Testamento o anjo Gabriel fala a Zacarias, esposo de Isabel e pai de João, o Batista, que o menino nasceria para isto: “e ele mesmo caminhará à sua frente, sob os olhos de Deus, com o espírito e o poder de Elias, para reconduzir o coração dos pais aos seus filhos e conduzir os rebeldes a pensar como os justos, a fim de formar para o Senhor um povo preparado” (Lucas, 1: 17).

Sobre a pessoa de João, o Batista, Jesus Cristo afirmou que, “de fato, todos os profetas, bem como a lei, profetizaram até João. Se quiserdes compreender-me, ele é o Elias que deve voltar” (Mateus, 11: 13, 14) — com isso, eliminando a hipótese de a expressão “o espírito e o poder de Elias”, que vimos acima, ser apenas linguagem figurada do anjo —: “mas eu vos digo, Elias já veio e, em vez de reconhecê-lo, fizeram com ele tudo o que quiseram (...) Então os discípulos compreenderam que Jesus lhes falava de João, o Batista” (Mateus, 17: 12, 13).

Mas Elias não “voltou” feito o Espírito atuando sobre um homem já existente, como se narra sobre o Espírito Santo em outros trechos da Escritura, em ação do próprio Deus: “voltou” para constituir um homem cujo nascimento foi anunciado como milagre, dada a idade avançada de sua mãe.

E foi o próprio Elias redivivo e novamente morto quem, após a execução de João, o Batista, foi visto por Pedro, Tiago e João ao lado de Jesus Cristo e de Moisés, no episódio da Transfiguração de Jesus no monte Tabor (Lucas, 9: 29-33).

Elias, aliás, que, depois de sua própria passagem, já havia se manifestado em Eliseu – “os filhos de profetas, os de Jericó, que o haviam avistado desde a outra margem, disseram: ‘o espírito de Elias repousa sobre Eliseu” (2 Reis, 2: 15), “o qual fez ressuscitar um menino, entre muitos outros prodígios” (2 Reis, 4: 32-37).

Mais ainda: quando Jesus interroga os próprios discípulos sobre quem ele, mesmo, seria, ouve: “para uns, João, o Batista; para outros, Elias; para outros ainda, Jeremias ou algum dos profetas” (Mateus, 16: 14), explicitando-se, assim, o quão comum era, na época, a crença em reencarnação, muitíssimo antes de Kardec.

O fato de não ser taxativa em ponto algum da Bíblia a negação da reencarnação indica ser este um assunto controverso, portanto dependendo de interpretação e crença, dadas as inumeráveis alusões existentes neste sentido desde muito antes de ter sido codificado o Espiritismo por Allan Kardec, a partir de 1857, ou de o Ocidente ter conhecido, após 1875 e pela Sociedade Teosófica, as noções reencarnacionistas presentes havia milênios em religiões orientais como o Hinduísmo e o Budismo.

Por exemplo, e como diz um texto Upanishad hinduísta, “um homem age de acordo com os desejos aos quais se apega. Após a morte, ele parte para o outro mundo, levando em sua mente as sutis impressões de seus atos; e, após obter lá o fruto de seus atos, retorna de novo a este mundo de ação. Assim sendo, aquele que tem desejos [aos quais se apega] continua sujeito aos renascimentos”.

Mas também é imperioso perceber que, contrariamente à suposição dominante em certa cultura nova-era, que reduz, relativiza e mistura as estruturas doutrinárias de que se apossa, como ocorre com instituições como o ICEFLU (ex-Cefluris), não basta à pessoa humana trabalhar-se para conquistar a iluminação ou, à alma, encarnar-se sucessivamente para atingir a bem-aventurança: “com efeito, é pela graça que vós sois salvos por meio da fé; e isso não depende de vós, é dom de Deus. Isto não vem das obras, para que ninguém se orgulhe” (Efésios, 2: 8, 9).

É necessário admitir que a vontade bondosa de Deus é soberana em todos os momentos da existência de suas criaturas (Isaías, 45: 6, 7 — “Eu sou o Senhor, não existe outro; eu modelo a luz e crio as trevas, eu faço a felicidade e crio a desgraça: sou eu, o Senhor, que faço tudo isso”) e que a Graça não está prometida como decorrência inevitável das obras de alguém (“merecimento”), como também, por outro lado, que a Graça pode se manifestar sempre que a Deus convenha, bastando para isso Sua vontade, até mesmo subvertendo o que se possa acreditar ser o curso natural de evolução.

Enquanto isso não ficar claro, não se aceita de forma verdadeira a necessidade de converter o coração, de fato amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo, respeitar as virtudes e rogar incessantemente a Graça, esperando que ela advenha, razão pela qual bem poucas pessoas obedecem fielmente à Palavra de Deus e agem como “filhos da promessa”, verdadeiros filhos de Deus: “não são os filhos da carne que são filhos de Deus; como descendência, somente os filhos da promessa são levados em conta” (Romanos, 9: 8).

Por isso mestre Irineu cantou em seu hino 71:

“Os que forem obediente,
tratar de aprender,
para serem eternamente,
para Deus lhes atender”.

(A sutileza do hino chama à responsabilidade individual: “os que forem obediente”, segundo dona Percília é no singular, poderão ser atendidos, como indica o plural “lhes”.)

Para compreender porque a doutrina daimista é genuinamente cristã, mesmo mencionando em seus hinos “cura” e seres espirituais (entidades), sobre os quais também se construiu a noção errônea de ela ter sido “combinação das crenças indígenas [e] africanas com elementos do catolicismo popular e do espiritismo em um novo sistema sincrético”, como muitos afirmaram, sugiro que seja lido o meu livro A Rainha da floresta – a missão daimista de evangelização para conhecer e entender detalhes. Mesmo assim, entretanto, para concluir este trabalho mencionarei ou adaptarei trechos deste livro, o que faço a seguir.

O aspecto de “cura” está presente em todas as expressões religiosas do mundo pelo simples fato de que as pessoas adoecem em todos os lugares e épocas. Para traçar um paralelo com o viés de enfoque que veio se dando na sucessão de estudos acadêmicos mutuamente reforçados e referenciados uns aos outros, a alguém ocorreria dizer, em sã consciência, que o Cristianismo, instaurado por Pedro e Paulo em nome de Jesus Cristo, é ‘xamânico’, por conta das curas ocorridas no decorrer da missão evangélica e apostólica?

No Evangelho de Marcos se lê a ocorrência de dez curas corporais feitas por Jesus (paralíticos, cegos, leprosos, surdos-mudos, uma hemorrágica e várias curas coletivas), dois exorcismos, duas multiplicações de pães e peixes, uma cura de catalepsia e uma caminhada sobre o mar, e não é só com Jesus que isto ocorre. Nos Atos dos Apóstolos citam-se duas curas feitas por Pedro, várias por Paulo (entre elas, uma comum disenteria), três êxtases (um de Pedro e dois, de Paulo), a anunciação de uma morte (por Pedro), uma cura feita por Ananias, uma ressurreição (feita por Pedro), um transporte corporal (de Filipe) e a causação de cegueira em um homem (por Paulo) como demonstração do poder de Deus.

Neste sentido, como ocorre no Novo Testamento, é essencial frisar que o núcleo essencial da missão de mestre Irineu não diz respeito ao papel de “curador”, embora também o tenha exercido, mas ao de evangelizador, dada a fecunda existência de cerne cristão naquilo que, de pajelança ou xamanismo, possa ter tido somente e remota aparência.

O aspecto de “curadores” passou a receber maior destaque apenas em centros de culto que usavam daime em todo o Brasil após 1980, os do então Cefluris, hoje Iceflu, deixando-se cada vez mais em plano secundário, na ação institucional destes centros, o serviço de evangelização cristã. Tanto que, quando mestre Irineu estava no mundo, os “serviços de cura” eram esporádicos, ocorrendo em casos de necessidade extrema, enquanto a dinâmica de sua missão se compunha maciçamente das “concentrações” quinzenais e, secundariamente, dos serviços bailados a Deus, fossem de “louvor” (Noites Santas: Dia de Reis, São João, Conceição de Maria e Natal), de “contrição” (Sexta-feira Santa e finados) ou “livres”, São José, Aniversário do Mestre e Passagem do Mestre).

As curas de doenças são atendimento às dores da humanidade, atos de caridade e testemunhos do poder de Deus. No dizer de Mateus, 10: 5-8, “estes doze, Jesus os enviou em missão, com as seguintes instruções (...) A caminho, proclamai que o Reinado dos céus se aproximou. Curai os doentes, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demônios. De graça recebeste, de graça dai ”. Pois, como o Papa Bento 16 explicou no livro Jesus de Nazaré, quando ainda era o cardeal Joseph Ratzinger, “curar é uma dimensão essencial da missão apostólica, da fé cristã em absoluto (...) a cura pelo poder de Deus é chamada para que o homem acredite em Deus e que utilize as forças da razão para o serviço da salvação”.

No caso da doutrina daimista, vezes sem conta eram trazidas pessoas com quadros clínicos graves, algumas até desenganadas pela Medicina praticada em Rio Branco à época e, outras, com intensos episódios de transtorno mental, ocorrências para as quais a Medicina convencional ou as práticas curativas populares não ofereciam resposta efetiva. Em casos assim, era convocada uma “banca de cura” composta por irmãos e irmãs selecionados por mestre Irineu e todas as vezes, a partir de certo momento, chefiada por dona Percília, os quais se congregavam em contrito silêncio — com pouquinho daime e, para alguns, até mesmo nenhum — para rogar, preces a fio, pela saúde de quem ali estava necessitando (ou de quem por quem se pedia, no caso de impossibilidade de presença do necessitado), em prática de ajuda a quem carecia e comum a toda aglomeração humana liderada por uma forte personalidade religiosa.

“Eu moro nesta casa
que minha Mãe me entregou,
eu estando junto com Ela
sempre dando o Seu valor.

Fazendo algumas curas
que minha Mãe me ordenou,
de brilhantes pedras finas,
para sempre aqui estou ”. (Mestre Irineu, hino 114)

Como foi ensinado em Coríntios, 12: 7-11, “a cada um é dado o dom de manifestar o Espírito [Santo] em vista do bem de todos. A este o Espírito dá uma mensagem de sabedoria, a outro, uma de conhecimento, conforme o mesmo Espírito; a um o mesmo Espírito dá a fé, a outro o único Espírito concede dons de cura; a outro, o poder de operar milagres; a outro, o de profetizar; a outro, discernir os espíritos; a outro, ainda, o dom de falar línguas; enfim, a outro, o dom de as interpretar. Mas tudo isso é o único e mesmo Espírito [Santo] que o realiza, concedendo a cada um diversos dons pessoais, segundo a Sua vontade”.

Contemporaneamente se sabe que severos quadros clínicos corporais ou de desequilíbrio emocional desaparecem ou são atenuados à proporção que comportamentos pessoais se alteram, desativando padrões autodestrutivos e tornando a pessoa menos vulnerável a si mesma e à ação de agentes externos, estejam estes no plano do mundo, estejam no plano espiritual.

Sendo assim, e utilizando aqui livremente um conceito desenvolvido por Alan Kardec, o de perispírito (“o laço que une a alma ao corpo, princípio intermediário entre a matéria e o espírito”, segundo o Livro dos Espíritos), “cura espiritual” parece requerer trabalho simultâneo em quatro “planos”: corpo físico, psiquismo, perispírito e plano espiritual, nesta ordem, já que desde o Antigo Testamento “cura” ultrapassa o reequilíbrio orgânico ou psíquico: “Eu dizia: Senhor, piedade de mim, cura-me, eu pequei contra ti”, canta o salmista no Salmo 41 (40): 5.

Por esta razão, e se Deus quiser, a cura ocorre na medida em que as origens corporais, morais e éticas do desequilíbrio orgânico ou emocional sejam trabalhadas ao limite do possível para o recebimento da Graça — isso, se não se tratar de um milagre, como pode ocorrer também, quando nem carece tanto trabalho assim —, o que exige corajosa reforma íntima, com profunda revisão pessoal, quando se a alcança, de comportamentos radicados na base mais profunda da pessoa e de sua destinação.

É preciso também abordar e analisar a menção a “seres espirituais” ou “entidades”.

Diferentes textos de todas as religiões afirmam a existência de “seres espirituais”, isto é, entes viventes em um mundo paralelo, simultâneo, sincrônico ou correlacionado ao nosso, com a terminologia variando conforme a origem cultural, mas com núcleos de crença que apontam conceitos centrais análogos. Julgar que a menção a entes espirituais na doutrina daimista é necessariamente derivado de sincretismo com o Espiritismo kardecista, com crenças indígenas ou com cultos de matriz africana é desconhecer este fundamental aspecto de todas as expressões religiosas.

Budismo, no Acchariyabbhutadhamma sutta: “quando o bodhisatva saiu do ventre da sua mãe, então uma grande e imensurável luz, superando o esplendor dos deuses, apareceu no mundo com as suas divindades, maras e brahmas, com os seus contemplativos e brâmanes, seus príncipes e povo”.

Confucionismo, em Analectos, X, 14: “quando os camponeses exorcizavam maus espíritos, ele punha suas roupas de corte e postava-se sobre os degraus do leste”.

Cristianismo, em Lucas, 4: 36: “ele manda com autoridade e poder nos espíritos impuros, e eles saem”.

Hinduísmo, em Shrimad Bhagavatam, Canto 7: “as armas dos demônios não exerciam sobre Prahlada Maharaja nenhum efeito tangível, porque ele era um devoto que não se deixava perturbar pelas condições materiais e que vivia ocupado em meditar na Suprema Personalidade de Deus e em prestar serviço ao Senhor supremo”.

Islamismo, em Alcorão, surata XVII: “ainda que todos os seres humanos e todos os djiins [espíritos] trabalhassem juntos para produzir um Alcorão como este, eles nunca produziriam algo como ele, não importando quanto ajudassem uns aos outros”.

Judaísmo, em Deuteronômio, 32: 16-17: “por meio de abominações o [a Deus] ofendem, oferecem sacrifícios aos demônios que não são Deus, a deuses que eles não conhecem, recém-chegados ontem, que vossos pais não temiam”.

Taoísmo, em Liji, Livro dos Rituais: “portanto, a Li baseia-se no Céu, padroniza-se na Terra, trata do culto aos espíritos e estende-se aos rituais e cerimônias fúnebres, sacrifícios em honra aos ancestrais, arco e flecha, condução de veículos, investidura, núpcias, e audiências na corte ou troca de visitas diplomáticas. Por isto, o Sábio apresenta ao povo o princípio de uma ordem social racionalizada e através dele todas as coisas vão bem no seio da família, na cidade e no mundo”.

Sendo assim, a menção a seres espirituais nos hinos da doutrina daimista não abala em nada a sua genuína identidade cristã, por mais exóticos que soem os nomes: Tuperci, Ripi, Tarumim, Tucum, Barum, Marum, Papai Paxá, etc., que surgem em apenas 22 (6,9%) dos 317 hinos da base.

Por fim, vejamos a expressão “doutrina daimista” (do latim doctrína, ensino, instrução dada ou recebida, arte, teoria; de docére, ensinar), a qual pode parecer caracterizar uma seita.

Em primeiro, o que em termos teológicos caracteriza de fato uma seita é o seu desvio doutrinário fundamental em relação à tradição religiosa principal da qual se originou — e não se verifica na doutrina daimista, em toda a sua base doutrinária (os 317 hinos de mestre Irineu, Germano Guilherme, João Pereira, Maria Damião e Antonio Gomes, incluindo o hino sem letra), nenhum desvio doutrinário em relação ao Cristianismo.

Em segundo, quem estuda o Cristianismo com alguma profundidade ouve falar da “doutrina agostiniana”, da “doutrina joanina” ou da “doutrina tomista”, sem que isto caracterize seitas ou religiões e para se referir às formas de interpretar e praticar a tradição cristã que foram desenvolvidas por Santo Agostinho nos séculos 4 e 5, por Santo Tomás de Aquino no século 13 e por São João da Cruz no século 16.

Tanto assim é, que o Estatuto do CICLU — Centro de Iluminação Cristã Luz Universal, centro de desenvolvimento espiritual registrado pelo pregador inicial da doutrina daimista, mestre Irineu, se afirmava cristão (“consolidados os fundamentos da [sua] ordem na constituição evangélica, suas bases se erguem na disciplina cristã”), mas objetivava “a promoção das criaturas às suas respectivas doutrinas”, uma vez que, nos termos de mestre Irineu, no que concerne à predestinação de cada um, “o daime é para todos, mas nem todos são para o daime”.

Para refrear a inclinação humana ao proselitismo (“certamente a minha escolha é a melhor... então, venha para ela, você também! ”, quem já não pensou assim?), a doutrina daimista cantou:

“O mestre que me ordena,
que aprendeu para ensinar:
não é coisa que se ofereça,
é para aqueles que procurar ”. (João Pereira, hino 24).

E que estejam dispostos a muito trabalho de estudo, de estudo dos princípios da doutrina, dos princípios do Cristianismo e, acima de tudo, do corajoso estudo sobre si mesmo (“se estudar”), visando a boa reforma íntima necessária.

Lembrando que, como dona Maria Damião cantou em seu hino 41:

“Todos vão se corrigir
e vejam aonde vai doer,
que eu não posso ter pena
de quem procura merecer”.

E isto só avança com o estudo sobre si, em concentrações e entre elas, pois:

“O saber de todo mundo
é o saber universal.
Aqui tem muita ciência
que é preciso se estudar ”. (Mestre Irineu, hino 102)

Luiz Carlos C. Teixeira de Freitas